Blog da Coroa

O outro lado do Cara!

A derrocada de Roriz

Do Jornal da Comunidade: Como a varanda engoliu o rorizismo

A derrocada de Roriz e do que sobrou de seu grupo começou em 2002, quando instalou-se um esquema de espionagem e de práticas que exercitou a incompetência política com a máxima competência

Memento homo, quia pulvis es, et in pulverem reverteris (Lembra-te homem que veio do pó, e ao pó voltarás). O domingo, dia 3 de outubro, será a “Quarta-Feira de Cinzas” do rorizismo no Distrito Federal, independentemente do resultado das urnas. As cinzas simbolizam dor, morte e penitência. O grupo que mandou no DF por pelo menos duas décadas deve se esforçar para compreender o significado profundo das cinzas.

Diferente da frase em latim, que marca o início do período de arrependimento, a política agressiva e perseguidora adotada pelo ex-governador Joaquim Roriz (PSC) fez de vídeos clandestinos a sua gênese e arma maior de início de campanha, a qual, com um vídeo clandestino, encerrou-se melancolicamente. Do vídeo veio e do vídeo voltaste. É tempo agora de um exame das ações atuais e passadas para saber como se deu a derrocada.

O embrião de toda essa campanha suja, pautada por advogados criminais, informantes e policiais dúbios de funções obscuras, foi concebido em 2002. Nesse ano, o ex-delegado e ex-presidente da Companhia de Desenvolvimento do Distrito Federal (Codeplan), Durval Barbosa, foi o responsável por instalar a estrutura dos dois principais QGs de campanha de Joaquim Roriz, que tentava à época um quarto mandato de governador. Anos depois, Durval – e sua coleção de filmes – viria a ser a grande estrela da operação Caixa de Pandora. Como ele, saíram do anonimato e do submundo sombrio outros personagens como postulantes a pseudoheróis.

Curiosamente e como se estivesse antevendo o futuro, os dois bunkers de campanha foram batizados pela própria equipe rorizista como Big Brother, no Setor Bancário Norte, e “Casa dos Artistas”, no Lago Sul. Os nomes não são à toa. Em ambos os locais foram montadas estruturas semelhantes às dos reality shows da Globo e do SBT. Havia câmeras escondidas espalhadas por toda a parte, telefones grampeados e um sistema de monitoração de quem trabalhava ou visitava os dois lugares.

No Big Brother, que ocupou metade de um andar de um prédio recém-inaugurado na época, eram realizadas as mais importantes reuniões do núcleo duro de campanha, o staff de imprensa e o corpo jurídico. Lá, eram feitos dossiês, editados e produzidos jornais apócrifos, engendradas táticas para ferir os adversários.

A Casa dos Artistas era localizada na principal área nobre de Brasília, o Lago Sul. Uma mansão foi ocupada pela equipe de Roriz para produzir os programas de TV e rádio. Também era abrigo de outras cabeças da campanha. Para se ter uma ideia da dimensão, foi montado um restaurante onde mais de 200 pessoas poderiam fazer refeições simultaneamente. No local, havia ainda salão de beleza e quartos para descanso do candidato e dos principais assessores.

Esse grupo ainda não era predominante na campanha de 2002. Estava, apenas, se organizando para anos após, dar as cartas. Nessa época, Joaquim Roriz ainda ouvia e se aconselhava com assessores políticos, marqueteiros e jornalistas, que depois foram se afastando com o avanço do varandismo.

Varandismo é uma expressão usada para definir o grupo saído do submundo da política e que hoje conduz politicamente o ex-governador. São frequentadores de tribunais, delegacias e ilhas de edição de gravações clandestinas. Chama-se assim por ocupar o tempo de folga na varanda da casa de Joaquim Roriz, no Setor de Mansões Park Way.

Foi dali que saiu algumas das mais inacreditáveis operações para destruir adversários, amigos e inimigos, reputações e empresas. Algumas com êxito, outras nem tanto. Mas as manobras desastrosas fizeram afastar muita gente de Roriz. Cada vez mais isolado, só sobrou para o ex-governador ser conduzido pelos varandistas.

O que se escuta de muitos políticos e empresários da cidade são palavras de respeito e carinho por Roriz, mas que o afastamento deve-se pelas más companhias e por tudo que passou a representar o rorizismo, ao abandonar as rodas de política e passar a frequentar as manchetes policiais e as salas de interrogatório.

Não custa lembrar o estrago feito pela Caixa de Pandora, a qual desmanchou um grande esquema de corrupção que perdurava na cidade há pelo menos 10 anos, mas também envolveu muita gente que nada tinha a ver com o escândalo. Aproveitando o momento, delatores, alcaguetes e oportunistas engendraram pequenas vinganças pessoais e colocaram dentro da Pandora. Ficou tudo junto e misturado. Num primeiro momento não se diferenciava o que era joio e o que era trigo. Com o tempo, o céu foi clareando e a sombra deu lugar à verdade.

O objetivo principal era limpar a área, destruir os adversários, causar um grande escândalo e, por tabela, uma comoção na sociedade. Assim, estaria pavimentado o retorno de Joaquim Roriz à política, nos braços do povo como o grande salvador.

Mas o planejamento não deu certo. Eles não contavam que pudesse ter efeito contrário. A população brasiliense repugnou os esquemas de gravações, ameaças e chantagens. Quando mais surgia informações dos bastidores da operação, mas enojado ficava o cidadão da cidade.

A bala de prata

Roriz começou a cair nas pesquisas. Depois vieram as derrotas nos tribunais. A cada revés, novas ameaças plantadas em blogs, jornais e panfletos. De rolo compressor a novos vídeos, o que não faltou foi terrorismo eleitoral. Derrotado nas pesquisas e tribunais, Roriz colocou a esposa, com quem é casado há 50 anos, dona Weslian, ao crivo do público. Dona Weslian sempre foi respeitada, mas não tem preparo para protagonizar uma campanha ao GDF. Falta-lhe traquejo político. Roriz a atirou aos leões da opinião pública.

Como as ameaças não surtiram efeito e a esposa não teve bom desempenho nos debates e pesquisas, sobrou o despero do desespero. E uma tola coragem. Jogou lama no Supremo Tribunal Federal.

A confusão começou com a videoteca de Durval, mas não era previsível que terminasse com novo vídeo. Nele, Roriz negocia com o genro de Carlos Ayres Britto, ministro do STF, um contrato que, na prática, impediria o ministro de julgar o caso da Lei da Ficha Limpa.

O genro de Britto é o advogado Adriano Borges, que vive com a filha do ministro, Adriele. No vídeo, citam ainda o ministro Ricardo Lewandowski, do STF e presidente do TSE. A denúncia, tornando-se vazia, não passará de uma bala de prata na roleta russa rorizista.

outubro 2, 2010 - Posted by | Política | , ,

1 Comentário »

  1. Nao existe nada que nao seja descoberto, tudo tem começo,e tudo tem fim. É assim com tudo que e ruim e podre, uma dia a casa cai,um dia vem tudo a tona, nao ha mal que permaneça para sempre porque geralmente os feitiços acabam virando contra os feiticeiros e entao!! é o fim.

    Comentário por Wilson Garcia | outubro 3, 2010 | Responder


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