Blog da Coroa

O outro lado do Cara!

E a Veja de amanhã?

Eu admito, assim como a Regina Duarte: estou com medo.

Em momentos como esse, em que um personagem patético, mas com um exército poderoso po trás, está totalmente acuado, ele costuma fazer coisas absurdas. 3 capas seguidas da Veja com a história do polvo mostram claramente que eles estão nesse estágio.

Comecei a perceber essas coisas quando vi um garoto da escola sendo perseguido por colegas que queriam lhe tirar a camisa. Ele era franzino, então tinha vergonha de mostrar as costelas saltadas, bem como um umbigo que todos chamavam de “língua de fora” . Apesar de ser bem famoso, pois era filho de uma professora com fama de bruxa, o garoto era o mais tímido da turma. Um dia ele cometeu o erro de confiar em um colega e disse que estava ” a fim”  de uma das meninas da sala. Em algumas horas toda a turma sabia, e todos correram atrás dele com a firme vontade de tirar a camisa dele para mostrá-lo à menina (que não sei se fazia parte da ideia). Quando o garoto foi encurralado, ao ver que não tinha mais saída, ele partiu para cima dos garotos e machucou 3 deles, e aí conseguiu escapar e correu mais do que uma moto. Um dos garotos perdeu um canino de leite, mas pela idade (10 a 11 anos) imagino que já estava mole para cair. Claro que na época ninguém pensou nisso, todos comentavam que o coitado havia sido espancado pelo magrelo. Até eu caçoava desse banguela, mesmo ele sendo de turma mais adiantada que a minha, uns 2 anos na frente, mesmo por que meus irmãos eram relativamente populares a ponto de intimidarem alguém que se engraçasse para cima de mim.

Anos depois, ao ler o livro “A Arte da Guerra” (tenho o de 1983 do James Clavell), vi lá na página 51 uns conselhos que foram, provavelmente, inspirados em histórias como essa que contei. Ele dizia o seguinte:

Quando cercar um exército deixe uma saída livre. Isso não significa que permita ao inimigo fugir, o objetivo é fazê-lo acreditar que é um caminho para a segurança, evitando que lute com a coragem do desespero. Pois não se deve pressionar demais um inimigo desesperado.

Pois bem, é exatamente isso que eu acho que está acontecendo ao Serra. Imagine-se na situação dele, que desde criança acha que deve um dia virar presidente. Aí, na hora em que decide concorrer a isso, seu amado líder se transforma em um espantalho de votos. Até aí tudo bem, ele era relativamente jovem, e em breve concorreria novamente sem a proximidade com o governo do seu mago Merlin da política.

Passados 8 anos, agora é a chance! O sapo barbudo não poderá mais se candidatar, portanto eu vou derrubar todos os meus possíveis adversários que tenham chance. Vale campanha midiática para cá, tentativa de associar o adversário como autoritário, amigo de ditadores, ladrões, mensaleiros, clientelistas, fisiologistas, reescritores da história  e o escambau.

Com o terreno assim preparado, parto para a campanha pronto para enfrentar uma desconhecida, onde bastará eu dizer que ela é despreparada e todos votarão em meu sorriso simpático!

Tudo bem que o meu vice não é quem eu queria. Ele até me ajudaria dando uns votos, e eu o deixaria ser vagarosamente cozido pela insignificância de um não-cargo político para que não me desse problemas no futuro. Mas tudo bem, fechei acordos e contratos milionários com a Mída. Ah, a Mídia! Que Mídia! Che bella cosa! Nela eu viro um meigo sorridente na capa! Nela, meus adversários levam soladas nas ancas e têm tentáculos sedentos! Nela eu criei o mundo e as chuvas vieram para atacá-lo. Nela minha filhota pode tudo e não deve nada…

Mas aí acontece o inesperado: eu desço a ladeira de banguela e sirvo de contrapeso à minha adversária mais odiada. Mesmo aquela vigarista verde, que eu coloquei lá para arrancar votos da inimiga, está me criticando e roubando votos meus. Até meu ex-ex-ex-ex-ex-vice disse que vota em um aliado dela! E os petralhas ainda riem de mim por isso! E escarnecem, e tripudiam, e humilham, e riem, e contratam crianças para gritarem “Lula” quando eu apareço, e roubam meu dinheiro de campanha, e me fazem dar direito de resposta no site do meu partido, e desmascaram minha favela fake, minha Elba Ramalho fake, meu diploma fake, meu cano transnordestino fake, meu FAT fake, meu genérico fake, minha ponte fake, minha quebra de patentes fake, minha violação de sigilos fake e até me fizeram dizer que comia todo mundo!

Isso é pressão demais. Acho que ele partiu para cima por isso. E a última chance de causar um bom impacto é com uma boa bala de merda na Veja de amanhã. E é isso que me dá medo. Não medo de perder a eleição, pois ele vencer não representa um estrago muito grande, devido aos pactos pela governabilidade que ele precisará costurar.

Mas tenho medo da bagunça. Da polarização excessiva. Uma coisa é briguinha de internet, de rua, com sujeitos indeterminados. Outra é partir para o pessoal, para o discurso moralizante hipócrita, que só tensiona, sem permitir nenhum avanço. E essa vitória representaria um retrocesso na libertação do pensamento único. A imprensa marrom retomaria o poder, e não cometeria os mesmos erros que cometeu antes. Ou seja, mais polarização.

O que me consola é que sabemos quem foi o melhor para o país. O Lula já me provou que o FHC é o lixo que precisava ser reciclado. E o Lula soube fazer isso muito bem.

setembro 24, 2010 - Posted by | Uncategorized

1 Comentário »

  1. […] total em que ele se meteu. Por isso, podem esperar qualquer coisa. Qualquer coisa mesmo. Eu já postei isso aqui, mas volto a repetir o trecho do livro “A Arte da […]

    Pingback por Última semana « Blog da Coroa | outubro 24, 2010 | Resposta


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