Blog da Coroa

O outro lado do Cara!

Para a imprensa taxar grandes fortunas é ser “radical”

Só pra high society: pechinha na Daslu

 

No dia 6 de julho, Valdo Cruz, repórter especial da Folha de São Paulo, publicou interessante artigo intitulado Que País é esse?. O texto é uma reflexão sobre uma coluna de Mônica Bergamo sobre a abertura da temporada de liquidações de grifes internacionais onde os clientes saíram correndo para comprar casacos por R$ 28 mil, vestidos por R$ 16 mil e botas por R$ 3.000

Valdo afirma que os políticos, como Dilma e Serra, deveriam parar para meditar um pouquinho sobre essas cenas de realismo fantástico relatadas no “Guia da Pechincha”. Isso porque, segundo ele, proporcionalmente, o rico paga muito menos imposto do que as classes média e baixa, além das famosas brechas tributárias utilizadas pela classe alta para fugir da tributação. 

E porque enquanto alguns poucos têm mais do que o suficiente para torrar sua grana em grifes internacionais, a maioria sobrevive com baixos salários. Em síntese, propõe a necessidade de se trabalhar pela redução da nossa desigualdade de renda, inclusive como mecanismo de estímulo à economia. Entretanto, em tom pessimista, afirma que ninguém se mostra muito disposto a mexer com esse pessoal da classe alta. 

Curiosa, e em direção absolutamente contrária à do repórter, foi a reação da imprensa ao tratar do programa de Dilma Rousseff. Classificado como “radical”, “polêmico”, o programa previa, para benefício da maioria da população brasileira, a tributação de grandes fortunas. Essa mesma, que prevista na Constituição de 88 até agora não foi regulamentada. 

Estadão

Folha

Percebe-se que a grande mídia reverbera o pensamento de seus donos, perfeitos representantes da classe alta, e certamente atingidos pela taxação de grandes fortunas. É claro que a crítica do jornal transcende a questão tributária. Faz parte do papel destinado à grande imprensa de combater qualquer ideia de Dilma, mesmo que extremamente benéfica ao país. Uma pena que tenhamos uma imprensa desse nível. 

Vale lembrar que a Receita Federal vai criar uma delegacia especial para fiscalizar os maiores contribuintes pessoas físicas do país. Em entrevista ao Grupo Estado, o secretário da Receita Federal, Otacílio Cartaxo, antecipou que 6.600 contribuintes, entre eles grandes empresários, artistas, esportistas e profissionais liberais, já foram previamente selecionados para a fiscalização. 

Além disso, no dia 9 de junho, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou Projeto de Lei Complementar (PLP) 277/08 que cria o imposto. A Receita Federal calcula em R$ 3,5 bilhões o potencial de arrecadação do imposto caso ele seja aprovado neste ano.

julho 8, 2010 - Posted by | Imprensa

1 Comentário »

  1. Jovem, não se esqueça que esse imposto sobre grandes fortunas está previsto para a União na CF, e a LRF exige que o ente preveja e arrecade todos os impostos elencados na constituição. Olha só:

    Art. 11. Constituem requisitos essenciais da responsabilidade na gestão fiscal a instituição, previsão e efetiva arrecadação de todos os tributos da competência constitucional do ente da Federação.

    Comentário por Hermes | julho 8, 2010 | Resposta


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