Blog da Coroa

O outro lado do Cara!

Sucesso das UPPs na The Economist

A edição online da revista The Economist publicou reportagem sobre o modelo de segurança como conhecido por Unidade de Polícia Pacificadora, adotado na gestão Sérgio Cabral pelo secretário de segurança Mariano Beltrame.

Vale a pena a leitura do artigo, que trata daquilo que é considerado a primeira iniciativa real do Estado do Rio para combater a criminalidade e garantir paz às populações que moram nas favelas, após anos de omissão. Já tem gente querendo Beltrame para Ministro da Justiça no caso de Dilma Rousseff se eleger presidente.

É longo o texto, mas vale muito a leitura. A tradução foi feita com a ajuda do tradutor do Google. Não está ótima, mas dá para entender.

Um momento mágico para a Cidade de Deus

Graças a um filme (“Cidade de Deus”), em 2002, Cidade de Deus, um projeto habitacional degradado nos subúrbios do Rio de Janeiro, tornou-se um símbolo internacionalmente conhecido da miséria urbana sem lei que afeta a cidade mais glamurosa do Brasil há décadas. O Comando Vermelho, um bando fortemente armado de traficantes de drogas, dominou a vida dos 60 mil ou mais habitantes de Cidade de Deus e da sua envolvente favela. Os bandidos, alguns deles adolescentes, poderiam impor seu reinado de terror, graças à incompetência brutal da polícia e da indiferença das autoridades.

Alguns desses problemas se repetem entre as cidades do Brasil. Mas eles são particularmente graves no Rio de Janeiro, que sofreu desgoverno crônico e declínio desde que a capital mudou-se para Brasília em 1960. Antes da escolha do Rio de Janeiro como sede dos Jogos Olímpicos de 2016 no Outono passado, seus rivais resmungaram sobre a violência criminal. Na semana anterior à decisão do Comitê Olímpico, a revista New Yorker publicou uma conta de refrigeração de um traficante do Rio.

Mas o Rio está passando por um renascimento, pelo menos para os que vivem nas favelas, cerca de 1 milhão dentre os 6 milhões de moradores da cidade. No ano passado, a polícia assumiu o controle da Cidade de Deus, dessa vez para valer, dizem. Uma força de 318 policiais, apoiados por 25 viaturas de patrulha, é baseado em uma delegacia de polícia na comunidade novo em uma rua lateral entre dois fétidos canais de drenagem lixo. O resultado foi dramático. Em 2008 houve 29 assassinatos na Cidade de Deus. Até agora houve apenas um, e envolveu uma surra, em vez de uma arma de fogo, diz José Beltrame, o secretário de segurança do governo do estado do Rio que está no comando do policiamento na cidade. Outros crimes também diminuíram.

Muitos moradores estão agradecidos. “Era um horror antes”, diz Jeanne Barbosa, que dirige um pequeno bar no andar térreo de sua casa. “Os corpos eram atirados para fora dos carros e crianças andavam com revólveres.” Sua sobrinha foi morta enquanto caminhava para casa, por uma bala perdida de um tiroteio entre polícia e traficantes. “Agora as crianças podem brincar nas ruas.” Um soldador dreadlocked desempregados que dá o nome de Sérgio é mais cético. Ele diz que a polícia comete abusos. Seu amigo, que tem o olhar vazio de um viciado em crack, acrescenta: “89% deles são corruptos”.

A delegacia de polícia na Cidade de Deus é uma de oito, conhecidas como UPP ou Unidade de Polícia Pacificadora, criadas em favelas do Rio de Janeiro desde o final de 2008. Eles fazem parte de uma ambiciosa estratégia do deputado Beltrame para restaurar a lei e a ordem. Isso começa com o trabalho inteligência. Para minimizar abusos, os policiais que trabalham na UPP são especialmente recrutados e treinados. Ele atribuiu metas para toda a força. Ao chegar à cidade vindo do governo federal com chip em bônus, ele conseguiu dobrar os salários dos policiais da linha de frente.

O objetivo da polícia não é tanto abolir o tráfico de drogas como a unidade das gangues armadas nas ruas e, assim, abrir caminho para outras filiais do estado. As gangues condenam moradores da favela a uma vida fora da lei: a eletricidade e televisão por satélite são pirateados, poucos moradores têm títulos de propriedade, e os seus empregos estão na economia informal, assim como são as vans que os levam para o trabalho. As autoridades estão tentando consolidar a segurança e infra-estrutura, com legalidade. Em 31 de maio a Cidade de Deus ganhou sua primeira clínica de saúde. Ao lado, o governo municipal está construindo um restaurante subsidiado. Perto dali, duas jovens estão inscrevendo moradores para a companhia de eletricidade, que oferece novas geladeiras e lâmpadas mais econômicas como um incentivo para reduzir as contas altas de energia.

Até agora o plano é pouco mais do que uma experiência, embora com um futuro promissor. As UPPs cobrem apenas cerca de 140 mil pessoas. Os traficantes estão mentindo baixo e de ter escondido as suas armas, mas eles não desapareceram. A polícia ainda deve superar a desconfiança da comunidade, diz Tião Santos, do Viva Rio, uma ONG. A polícia no Rio e São Paulo ainda são muito rápidas no gatilho: Human Rights Watch observou recentemente que elas matam mais de 1.000 civis por ano.

Cidade da ímpia trindade 

A maioria das 1000 favelas do Rio ainda está mais ou menos controlada por três quadrilhas de tráfico ou por milícias instituídas por policiais e bombeiros desonestos. Mas mesmo em alguns desses lugares, há esperança. Tome Vigário Geral, uma pequena favela, onde 21 pessoas foram massacradas por um esquadrão da polícia de morte em 1993. Em uma visita recente, a passarela sobre a estrada de ferro que leva até lá era guardada por dois jovens, um com um revólver escondido volumosos ostensivamente no bolso superior do casaco. Mas na década de 1990 houve uma dezena de jovens com rifles guarda da ponte, diz José Júnior do AfroReggae, ONG que acaba de abrir um grande centro cultural em Vigário Geral, financiada pelo governo e por empresas privadas.

Impulsionado pela queda das taxas de criminalidade (ver gráfico), o Sr. Beltrame, um antigo delegado da polícia federal, tem planos para instalar 40 UPPSs abrangendo 500.000 pessoas ao longo dos próximos quatro anos. Até lá ele espera taxas de assassinatos no Rio será similares à de São Paulo, que reformou a polícia na década de 1990.

 “Se ele tem uma boa chance de alcançar este objetivo, é porque o Rio está vivendo um momento mágico em que tudo está conspirando a seu favor”, diz André Urani, economista que estuda a cidade. A economia está crescendo fortemente e criando empregos. Rio é o centro offshore de petróleo do Brasil, mas também é atração de novas indústrias. Depois de décadas de populismo e conflitos políticos, a gestão pública no estado está sendo transformada. Sérgio Cabral, governador do Estado, e Eduardo Paes, o prefeito, são aliados do presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva (todos os três se uniram para abrir a clínica na Cidade de Deus). Então, o dinheiro federal está sendo investindo na cidade. O governo do estado, tendo arrumado as finanças caóticas, tem espaço para emprestar.

Os recursos extras vão custear a atualização do sistema de transportes da cidade para a Copa de 2014 (a final será disputada no estádio do Maracanã do Rio de Janeiro) e para as Olimpíadas. Tendo assegurado os jogos com um lance conservador que colocou a maioria dos eventos na endinheirada Barra e Copacabana, as autoridades estão agora aprimorando o plano. Deputado Paes quer renovar a decadente zona portuária começando promotores privados para construir alojamento lá para os 20 mil jornalistas que cobrirão os Jogos. Parte do dinheiro novo também está indo para pavimentação, iluminação e rede de esgotos que por sua vez favelas em bairros.

Há ainda muito a se fazer. O Complexo do Alemão, um aglomerado de favelas espalhadas por morros ao norte da cidade, está cheio de novos projetos residenciais e com os pilares de concreto de 5 km do teleférico que, ainda este ano, deve integrá-lo à rede ferroviária suburbana. Uma de suas ruas enlameadas de pequenas lojas possui uma agência do Banco Santander, aberta no mês passado, o primeiro banco no interior de uma favela carioca. Guilherme Nicolas, gerente da agência, tem esperanças de inscrever 10 mil clientes. Mas ele diz que a maioria dos moradores ganha menos de 1.000 reais (600 dólares) por mês, e alguns querem empréstimos para comprar comida. A insegurança e a pobreza têm andado de mãos dadas no Rio de Janeiro. Uma cidade mais segura tem melhores chances de se tornar socialmente menos dividida.

junho 12, 2010 - Posted by | Segurança Pública

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